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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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A concha de São Martinho

Mäyjo, 21.06.20

São Martinho do Porto é uma vila em Portugal com uma baía em forma de concha cercada por uma praia de areia branca.

Ela baía formou-se quando uma faixa de terra ao longo da costa foi erodida e separada por ação das águas do Oceano Atlântico. Como a abertura para o oceano ainda é relativamente pequena (250 metros), as águas na praia são quase sempre calmas.

39,513000 °, -9,134000 °

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Fonte da imagem: Maxar

 

 

Ilha de Kuata

Mäyjo, 12.06.18
Kuataé uma das cerca de 20 ilhas que compõem o Yasawa Group, um arquipélago da Divisão Oeste de Fiji.
Embora Kuata tenha menos de um quilómetro quadrado, é um destino turístico popular, onde os visitantes aproveitam para descansar nas praias, nadar e mergulhar com snorkel entre os amigáveis tubarões-de-recife.
 

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Source imagery: DigitalGlobe

 

Vila do Bispo rasga arriba fóssil com 250 milhões de anos para facilitar acesso à praia

Mäyjo, 30.04.16

 

Geomonumento da praia do Telheiro na Costa Vicentina, considerado exemplar único no mundo, pode vir estar em perigo devido à massificação turística.

Em Sagres, a Câmara Municipal de Vila do Bispo terraplanou uma arriba fóssil quaternária para facilitar o acesso à praia do Telheiro, um dos muitos locais da Costa Vicentina que ainda está em estado natural. Consequências? Os geólogos receiam que a abertura do caminho seja o primeiro passo para colocar em perigo o geomonumento do Praia do Telheiro, considerado pelo geólogo Galopim de Carvalho “muito mais importante do que o internacionalmente conhecido Siccar Point, na Escócia”, e que figura em tudo o que é manual de geologia por esse mundo fora.

Carla Cabrita, guia da natureza, foi a primeira a insurgir-se contra esta intervenção. Ao toque de alarme, dado há um mês, respondeu de imediato a comunidade científica. Galopim de Carvalho, na sua página do Facebook, destacou a importância do geomonumento, deixando um alerta: “Urge defendê-lo do camartelo do progresso, que o desinteresse, quase sempre fruto da ignorância de quem decide, põe em risco”. 

No mesmo sentido manifesta-se, em resposta ao PÚBLICO, Ana Ramos Pereira, da Universidade de Lisboa: “Está ali um monumento que não se vê em mais lado nenhum em Portugal, e é muito raro encontrar mesmo na Europa”.
O presidente da Câmara de Vila do Bispo, Adelino Soares, desvalorizou estas críticas: “Só fizemos melhoramentos num caminho pré-existente”. Porém, neste caso, trata-se de uma zona sensível, situada na área do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Por conseguinte, a Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), no passado dia 15, determinou a “necessidade de suspender qualquer intervenção na área enquanto não for devidamente comprovada a legalidade das intervenções em causa”. Uma “medida preventiva” já comunicada ao município. 

Entretanto, a IGAMAOT, interpelado pela PÚBLICO, adiantou que foram efectuadas “diligências junto do ICNF” [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas], dando nota de que tais acções “poderão consubstanciar a violação dos planos especiais incidentes sobre a área”.

O autarca, socialista, diz não compreender o “fundamentalismo” com que o assunto está a ser encarado. “Só pretendemos melhorar o acesso à praia do Telheiro [não vigiada], permitindo o acesso aos veículos de socorro em caso de acidente”, justifica. Mas, de seguida, passa ao contra-ataque: “Criticam, mas não sabem do que falam, porque não foram ao local, só viram fotografias”. 

Além do caminho existente, agora terraplanado e alargado, foi prolongado o acesso, em mais 150 metros, até ao topo da arriba — um sítio onde só ocasionalmente circulavam veículos todo-o-terreno.
Paulo Fernandes, professor da Universidade do Algarve que investiga o geossítio há 25 anos, acha que “houve pouco cuidado” da parte da câmara nesta intervenção, embora reconheça que já lá existia um caminho. Mas, com a obra efectuada — sublinha —, vai ser possível estacionar no topo da arriba, o que, “além de proibido, é perigoso e potencia o risco de desmoronamento”. 

Por seu lado, Ana Ramos Pereira, especialista em geomorfologia, que fez a sua tese de doutoramento sobre esta área, lembra que a morfologia permite “ler e compreender a evolução deste território com 250 milhões de anos”. O geomonumento, explica, é muito mais do que a parte rochosa que se destaca no horizonte. “Toda a Costa Vicentina é um geopatrimónio“, sublinha Ana Ramos Pereira. Porém, não subscreve a tese “fundamentalista” de restringir o acesso ao usufruto deste património como forma de o preservar. A melhor forma de o defender, enfatiza, “é divulgar o seu valor”.

O geomonumento da praia do Telheiro dá lições de História, sublinha Galopim de Carvalho: “Houve aqui, há centenas de milhões de anos, um antigo continente em aproximação, que acabou por se fechar na sequência da colisão que os uniu”. Desse choque resultou a formação de uma “grande cadeia de montanhas, parte dela estendendo-se pelo que é hoje o sul da Europa, incluindo a Península Ibérica”.

Falar com as plantas 
Quando chega ao local, Carla Cabrita, guia da natureza há cinco anos, não resiste à tentação: começa a fazer festinhas aos tomilhos-do-mar como se estivesse a passar a mão pelo dorso de um gato. A planta, uma espécie protegida, responde às caricias libertando o seu perfume natural. “Adoro este cheiro “, diz a guia, inspirando, num gesto meditativo. Aproxima-se um casal de surfistas num carro de matrícula espanhola.

A viatura estaciona e, do interior, uma jovem atira um primeiro olhar à ondulação. O chamamento do mar surge de imediato: saltam e descem a montanha até à praia do Telheiro. “O meu receio é a massificação, espero que a destruição que se verificou noutras zonas do Algarve não se repita aqui”, observa Carla, natural do concelho. A actividade profissional que desenvolve começou pela paixão que tem pelas plantas silvestres. Ao mesmo tempo que caminha pelos trilhos, vai dando explicações aos turistas sobre a importância da biodiversidade daquele espaço. “Olha a violeta de Sagres”, diz Carla, soltando um sorriso de surpresa porque não seria suposto a planta estar tão bonita nesta época do ano. “Nos últimos tempos descobri que a geologia é a base de tudo”, afirma. Por isso, promete queixar-se às entidades europeias, “se nada for feito em Portugal” em defesa do geossítio.

 

in: http://www.publico.pt/